sábado, 20 de dezembro de 2008

ECOLOGIA HUMANA

ECOLOGIA HUMANA

Francisco Octavio da Silva Bezerra
Centro Brasileiro de Arqueologia
cba@cbarqueol.org.br e sobenet@gmail.com
A Ecologia Humana é a mais nova subdivisão da Ecologia Geral. No Brasil os cursos de extensão da disciplina datam de menos de meio século. No exterior seus estudos são também relativamente recentes (1922).
A nova disciplina fundamenta-se em três ramos científicos a saber: Ciências da Terra, Ciências da Vida e Ciências do Homo. Os estudos incluem noções de Primatologia, do aparecimento do Homem, da cultura e suas características e dos problemas decorrentes da ação transformadora dos humanos na Biosfera.
Para tal torna-se necessário: compreensão do papel modificador da cultura no ambiente no presente e no passado; recordar os princípios básicos da Ecologia e procurar aplicá-los ao se cosmopolita por excelência; rever as características diferenciais entre os primadas não humanos e os sapiens e reativar os conhecimentos contemporâneos do impacto da ação humana na Terra.
Dentre os fenômenos relativos ao último item destacam-se a poluição, a extinção das biotas, a relação da produção alimentar e o crescimento populacional, a ação do sapiens modificando o Meio e a conseqüente reação do Ambiente Natural, as atividades predatória humanas, verdadeiro circulo vicioso que alguns denominam efeito bumerangue.

palavras-chave: Humana Ecologia Ciências


A LITODIVERSIDADE FLUMINENSE-I

Por Benedicto Rodrigues *

A litosfera é a camada sólida que envolve o globo, situando-se entre a atmosfera e o manto, ela é constituída, principalmente, por rochas semelhantes as que afloram na superfície: granitos, migmatitos, basaltos, rochas metamórficas, rochas sedimentares, e mais profundamente por diabásio, rochas ultrabásicas etc., além do solo que se origina a partir da sedimentação dessas rochas.
Todas as rochas da crosta terrestre são formadas por minerais, que são elementos ou compostos inorgânicos. Ao todo são conhecidos mais de dois mil minerais, sendo que apenas cinco são os principais constituintes das rochas ígneas e são os minerais mais abundantes da crosta terrestre: feldspato, quartzo, piroxênios, anfibólios e micas, os outros minerais aparecem em menor quantidade, geralmente como minerais acessórios.
As rochas ígneas são formadas devido ao resfriamento do magma, que se origina na parte inferior da litosfera, Isto é, no manto.
Todas as rochas da crosta passam por um ciclo, através de processos geológicos externos (exógenos) e internos (endógenos). Os processos externos consistem em intemperismo ou meteorização, ou seja, a redução das rochas expostas na superfície da crosta terrestre sob a influência de agentes químicos ou físicos. O material desagregado é então transportado pelo vento, a água, o gelo ou ação da gravidade para outro local onde é depositado, começando um processo de sedimentação ou acumulação, que sofre compactação devido à pressão exercida pelas massas sobrepostas, originando as rochas sedimentares. Este processo chama-se diagênese.
Outro ciclo pode ocorrer a partir da diagênese: transformação da constituição mineralógica da rocha, condicionada especialmente pelo aumento da temperatura e da pressão, podendo produzir desde dobramentos até metamorfismo da rocha, o que pode também acontecer com as rochas ígneas.
Tanto as rochas ígneas, quanto as metamórficas e as sedimentares podem sofrer ascensão, expondo-se ao intemperismo ou a temperatura pode aumentar muito, resultando na fusão do material.
Os solos, ou seja, a porção da crosta terrestre formada por sedimentos, formam-se a partir de meteorização das rochas. O processo de meteorização se dá em duas fases: física e química que são a desintegração e a decomposição das rochas.
As plantas e os animais também desempenham papel importante na alteração das rochas. As raízes das plantas penetram em fraturas e durante seu crescimento desenvolvem uma força tal que ultrapassa a resistência da rocha, rompendo-a.
Além da ação dos restos vegetais decompostos que fornecem substâncias húmicas, outros seres vivos, em sua maioria pequenos, constituem agentes que desenvolvem atividades químicas destrutivas para as rochas. As superfícies das rochas são habitadas, normalmente por algas, musgos, liquens, bactérias, fungos etc. A atuação desses organismos é exercida pela secreção de produtos químicos que reagem com a composição da rocha. Outras plantas de ordem superior atacam as rochas pela necessidade de extraírem dela elementos como K, Ca, P, S etc. indispensáveis a sua subsistência.
Os solos, genericamente, são constituídos de matéria mineral, matéria orgânica, umidade e ar, o que cria a base para a sobrevivência dos seres vivos, desde os mais simples até os mais complexos. Não podendo a geologia ser esquecida ou inferiorizada na preocupação com o meio ambiente e no estudo da ecologia atual.
A preocupação de uma utilização verdadeiramente racional da terra tem proporcionado, nos últimos tempos, uma busca de metodologias adequadas que expresse as possibilidades do meio e que represente um aproveitamento equilibrado do ecossistema. O êxito da exploração da terra está no conhecimento de suas possibilidades e da relação que existe entre ela e o meio ambiente.
O meio físico é um complexo resultante da interação de um conjunto de fatores naturais e sua compreensão e conhecimento é fundamental para um manejo adequado, de modo que possa ser conservado e ter aumentada sua potencialidade produtiva.

*Geólogo, Vice-presidente do Centro Brasileiro de Arqueologia- CBA.
** Matéria para divulgação, permitida reprodução, desde que citado o Autor

A BACIA DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ


XX CONGRESSO BRASILEIRO DE PALEONTOLOGIA
A bacia de São José de Itaboraí da descoberta em 1928 ao Parque Paleontológico em 2007

Vanessa Maria da Costa Rodrigues-Francisco
Benedicto Humberto Rodrigues-Francisco

Em 25 de Fevereiro de 1928 uma análise química de amostra proveniente da fazenda São José, no município de Itaboraí, Estado do Rio de Janeiro, evidenciou a ocorrência de calcário até então desconhecida na região. A análise da amostra, efetuada no Laboratório da Produção Mineral do DNPM, por Marysia Fontoura, revelou a presença de óxido de cálcio (53,68%) e óxido de Magnésio (2,96%). A partir dessa descoberta a ocorrência despertou a atenção da incipiente indústria de cimento. Havia apenas uma fábrica operando em São Paulo. O Brasil importava o cimento de que necessitava em barris de madeira. Manifesto de lavra foi concedido para Companhia de Cimento Portland Mauá em 1935. A fábrica foi construída em Guaxindiba, São Gonçalo. Acorreram os pesquisadores em busca de informações sobre a ocorrência de uma nova bacia sedimentar. Os primeiros fósseis foram coletados e enviados para Carlota Joaquina Maury, nos EUA. Em 1935, Vitor Leinz realizou os primeiros estudos geológicos publicando os resultados com uma hipótese sobre sua origem e evolução. Inúmeros trabalhos surgiram sobre a fauna e a flora, estes em menor número. A explotação de calcário continuou até o início da década de 80, quando se notou o esgotamento da reserva não obstante alguns esforços no sentido de se encontrar a continuidade da bacia nas proximidades. O fato levou e empresa mineradora a optar por explotar calcário em outra região do Estado do Rio de Janeiro. Com a desativação da pedreira a água passou a ocupar o espaço surgindo aos poucos uma lagoa cuja água é utilizada para abastecer a população local. Serve também como área de lazer com a prática de pesca de anzol.
Os professores Fausto Cunha e Benedicto Rodrigues percebendo desde logo o risco ao patrimônio geopaleontológico recorreram ao IPHAN solicitando o tombamento da bacia. Infelizmente não obtiveram sucesso. A professora Maria Beltrão havia tentado, simultaneamente, mas sem sucesso, o mesmo recurso. O insucesso, contudo não desanimou os pesquisadores. Em 1990 a Prefeitura desapropriou a área e em 1995, depois de muita luta, os geólogos José M.M. Caniné e Benedicto H.R Francisco lograram o primeiro e importante êxito político em suas ações visando à proteção definitiva do sítio geológico e paleontológico. O prefeito João César a Silva Caffaro resolveu criar o Parque Paleontológico de São José de Itaboraí por decreto lei 1346, em 12 de dezembro de 1995.
Através da portaria 304/97, em 21 de maio de 1997, o prefeito Sérgio Alberto Soares nomeou a Comissão Gestora do Parque Paleontológico de São José. Em seguida, os mesmos pesquisadores prepararam o Projeto do Parque e iniciaram a busca pelas verbas. Em 2000, por iniciativa do professor Benedicto Rodrigues foi promovido o abraço simbólico por ocasião do quinto aniversário de criação do Parque.
Finalmente com a entrada do Instituto Virtual de Paleontologia da Faperj, através da iniciativa da professora Maria Antonieta Rodrigues algumas ações significativas tiveram lugar. Primeiro a adoção do Projeto Jovens Talentos Cecierj/Faperj possibilitou a aprovação de cerca de vinte bolsas para estudantes da escola estadual Francisca Carey. Os estudantes passaram a ser orientados por professores ligados ao Parque. O sucesso desta iniciativa acabou desembocando no apoio da Petrobrás. Com a verba da Estatal foi possível a recuperação de alguns imóveis do Parque visando à implantação de cursos profissionalizantes, um museu, uma biblioteca e um setor de informática. O esperado é uma continuidade das ações e que os apoios sejam efetivos para que o Projeto do Parque Paleontológico finalmente seja concretizado com enormes benefícios para a comunidade de São José, tão prejudicada no passado pela desativação da mineração e abandono da área.
A situação do sítio geo-paleontológico de Itaboraí somente não foi agravada graças à ação firme e destemida de parte da comunidade científica do Rio de Janeiro, que jamais desistiu de lutar pela preservação desse patrimônio de incontestável importância mundial.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Dia da Amazônia 2008

A Diretoria de Atividades Técnicas, através das divisões técnicas de Engenharia do Ambiente (DEA) e Recursos Naturais Renováveis (DRNR) promoveu, no dia 5 de setembro, solenidade comemorativa do Dia da Amazônia. Participaram do evento o presidente do Instituto Brasil Pnuma (Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Haroldo Mattos de Lemos, os conselheiros do Clube de Engenharia Ricardo Maranhão e Claudio Miranda e representantes das seguintes ONGs: Rogério Luiz Jahara (Incenden), Irene Garrido (Modecon), Jorge Eduardo Durão (Fase), e Renata Moraes (Convergência).
Segundo Haroldo Mattos de Lemos, anteriormente havia a idéia de que as maiores riquezas da Amazônia estavam no subsolo.
– Em l991, um relatório do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) estimava as reservas conhecidas de minério de ferro, nióbio e bauxita, entre outras, em l,6 trilhão de dólares – levando em conta o valor médio de comercialização internacional. Mais recentemente, o Ibama estimou a riqueza da biodiversidade da Amazônia em 4,0 trilhões de dólares. Realmente faz sentido, pois em l960 uma criança portadora de leucemia tinha uma chance em cinco de se salvar com vida, ao passo em que, hoje, esta chance é de quatro em cinco. Este fato se deve à possibilidade do uso de um princípio ativo contido numa plantinha ambientada nas florestas tropicais, como a floresta amazônica – disse.
Ricardo Maranhão lembrou que a Amazônia não é somente brasileira: "ela é peruana, venezuelana, das guianas, e 60% dela está em nosso território".
– O que vem ocorrendo é a grande ausência dos poderes públicos, apesar de lá atuarem ministérios, Polícia Federal, Suframa, Ibama, Receita Federal, Forças Armadas e também a Petrobrás. Só que atuam de forma descoordenada. Precisamos fazer a integração do nosso território, sem, entretanto, transformar a região num museu – disse.
Jorge Durão falou sobre o recrudescimento da disputa sobre o destino dessa região, "sem a qual o Brasil ficaria reduzido a cerca de 40% do seu território e perderia grande parte da sua importância no mundo".
O conselheiro Claudio Miranda apresentou trabalho sobre sobre a Amazônia, que enviou para cerca de 5.000 e-mails em todo o país.

domingo, 23 de novembro de 2008

NOVAS DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO






NOVAS DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO



(PANORAMA ATUAL DA ARQUEOLOGIA).



CLUBE DE ENGENHARIA



DIA 25 DE NOVEMBRO DE 2008

MESA REDONDA COORDENADA PELO
CENTRO BRASILEIRO DE ARQUEOLOGIA



Na sua versão tradicional, a arqueologia é uma disciplina mítica, que se tornou popular graças aos pioneiros do século 19, do início do século 20, e aos personagens aventureiros e glamurosos de Harrison Ford e de Lara Croft. Mas na sua versão moderna, dita "preventiva", ela é dificilmente aceita por tomadores de decisão e pelo mundo econômico, suscitando por vezes propósitos de uma virulência sem equivalente a respeito de uma disciplina científica, lembra Nicole Pot, em artigo publicado na França.
O conhecimento trazido pela pesquisa arqueológica de modo mais geral pode contribuir para evitar, em todas as comunidades, o sofrimento de não possuir um passado e de possuir um futuro sem memória coletiva. Não é possível preservar um patrimônio desconhecido. O Brasil - o maior país em extensão da América do Sul - possui áreas pouco conhecidas do ponto de vista da Arqueologia e há necessidade urgente de se saber aonde e como estão os sítios.
A mesa redonda comemorativa dos 47 anos do CBA tem por objetivo colocar em evidência as novidades da arqueologia fluminense e ao mesmo tempo realçar o papel do CBA para o desenvolvimento da ciência no Estado do Rio de Janeiro, tanto na Arqueologia Histórica quanto Pré-Histórica.
Papel do CBA para o desenvolvimento da Arqueologia no Estado do Rio de Janeiro
O Centro Brasileiro de Arqueologia, fundado em 21 de novembro de 1961 é uma associação civil, de caráter técnico-científico, sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública pela Lei 910 de 04/02/1966, tendo como objetivo congregar estudiosos em Arqueologia, Pré-história e Ciências afins, promover a realização de cursos, estudos, debates, seminários, projetos culturais, encontros, levantamentos e pesquisas em conformidade com a Lei Federal 3924 de 26 de julho de 1961, que dispõe sobre a proteção de monumentos históricos e pré-históricos nacionais.
Giselle Manes, abordando o tema “História do CBA - da fundação aos dias atuais”, discorre sobre os acontecimentos mais importantes que marcaram os 47 anos de existência do CBA na sua trajetória de divulgação da Arqueologia como ciência, realizando expedições, pesquisas, palestras, exposições e seminários, convênios e parcerias, além de um incontável número de cursos, chegando a contar, na década de 80, com mais de 500 associados, alguns deles ilustres.

Destaca a popularidade dos cursos que o CBA promovia notadamente os introdutórios à Arqueologia, realizados a partir de 1964, com sucessivas edições anuais, que visavam o ensino da metodologia da pesquisa arqueológica, e contavam com grande afluência de interessados (associados ou não). Além das aulas teóricas, o CBA promovia atraentes excursões anuais com os alunos dos cursos e os associados, dentro e fora do Estado do Rio de Janeiro, sendo a mais procurada, a de Lagoa Santa, Maquiné e Cerca Grande.

Dentre as atividades desenvolvidas pela entidade no passado, realça as famosas expedições realizadas de 1961 a 1970 à Paraíba, para documentar a Pedra Lavrada do Ingá e de Picuí, e à Roraima, para documentar a Pedra Pintada e as ruínas do Forte São Joaquim do Rio Negro. Ressaltou que, em uma dessas expedições à Paraíba, a equipe técnica do CBA encontrou um sítio paleontológico, na cidade de Taperoá, em cujas cacimbas foram encontradas fósseis de mamíferos do Quaternário, sendo parte desse material encaminhado ao Museu Nacional, Divisão de Geologia e Paleontologia.

Outra realização memorável do CBA foi a “1ª Semana do Egito”, de julho de 1964, em cooperação com a Embaixada da República Árabe Unida –RAU, ocasião em que foi lançado, pelo CBA, o primeiro número da “Revista Brasileira de Arqueologia”, hoje obra rara, patrocinada pela Embaixada, na qual há extensa matéria referente à Pedra Lavrada do Ingá, na Paraíba.

Menciona, ainda, a importante aquisição pelo CBA, em 1974, de um sítio em Magé, hoje município de Guapimirim, onde há um sambaqui, que foi batizado de “Sambaqui Arapuan” e começou a ser pesquisado em 1975 pela equipe técnica e alunos dos cursos, com autorização do IPHAN. Em 1978, o CBA montou um laboratório com subvenção aprovada pelo Conselho Estadual de Cultura e apresentou uma Nota Prévia das pesquisas na “I Jornada Brasileira de Arqueologia”, realizada no Museu do Índio nesse mesmo ano.

Dentre outras importantes realizações do CBA no presente, a realização do “I Encontro Latino-Americano de Arqueologia”, em 19 e 20 de setembro de 2005, pelo CBA em parceria com o Clube de Engenharia, e patrocínio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), Museu Nacional (da UFRJ) e a Fundação José Bonifácio, contando ainda, com o apoio do CREA-RJ. A Dra.Maria Beltrão exalta a importância deste evento para a Arqueologia Brasileira.
Uma recente conquista do CBA em 2007 foi o reconhecimento do “Dia do Arqueólogo” pelo Município do RJ (pela Lei 5.450, de 09/07/2007) e também pelo Estado do RJ (pela Lei 5.121, de 07/11/2007.
Julio Vaz realça que a efetivação do Dia do Arqueólogo em 2007, a pedido do CBA, pelo Estado do Rio e pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi um grande avanço da categoria dos arqueólogos. Atualmente, encontra-se em trâmite o projeto de efetivação do Dia do Arqueólogo a nível nacional. No decorrer desses anos, o CBA colecionou parcerias para o desenvolvimento de algumas de suas pesquisas. No passado foram importantes as parcerias com o Museu do índio, Museu Nacional, Universidades Gama Filho e Unisuam. Atualmente o CBA desenvolve parcerias com o SINPRO, o CREA-RJ, o Clube de Engenharia, o Parque Paleontológico de Itaboraí e o Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro onde está sendo instalada a nova sede.
Rondon Mamede Fatá menciona projetos em andamento no CBA, como a atualização do livro de Maria Beltrão, sobre o mapeamento dos sítios arqueológicos no Estado do Rio de Janeiro e a publicação da memória do CBA, desde sua criação em 1961 até os dias de hoje. Segundo Rondon, ao todo foram listados 539 sítios arqueológicos no Estado do Rio de Janeiro. Os registros encontrados junto ao IPHAN somam 320, os outros 219 são citados em várias fontes, mas não há registro oficial dos mesmos.
Homenagem ao prof. Francisco Octávio da Silva Bezerra
Catherine Beltrão, presidente do CBA, relembra a trajetória vitoriosa do CBA na gestão do Professor Francisco Octavio da Silva Bezerra e as dificuldades surgidas na instituição com o seu falecimento. Apresentação de slides mostrando a atuação do prof.Francisco Octavio da Silva Bezerra na área da Arqueologia, mais especificamente, como fundador e algumas vezes presidente do CBA. A trajetória percorrida por Francisco Octávio, o grande e último presidente do CBA, deixou marcas indeléveis por onde passou: Petrobrás, Museu Nacional da UFRJ, Sociedade de Arqueologia Brasileira, Instituto de Arqueologia Brasileira, Centro Brasileiro de Arqueologia, Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, Clube de Engenharia. Incansável na luta em defesa da arqueologia no Brasil, conseguiu ver em 2007, à frente do CBA, a realização de uma de suas lutas: a instituição do Dia do Arqueólogo, a nível municipal e estadual. Deixou para serem concluídos os sonhos do reconhecimento da profissão de arqueólogo e do levantamento da história do CBA no contexto da história da arqueologia brasileira.
O prof. Octávio deixou de estar de corpo presente entre nós em 14 de fevereiro último. “Mas, como acontece com as estrelas deste nosso magnífico Universo, sua luz continuará chegando até nós no futuro por milhares, milhões de anos afora.”
A expansão do CBA através da Internet
Catherine Beltrão, desta vez, fala de como a arqueologia no Brasil está utilizando a Internet, com apresentação de slides sobre alguns sites mais importantes na área.
A Internet, ano após ano, vem sendo utilizada para a geração de conteúdo, disseminação de informações e comunicação entre pessoas, a níveis crescentes e jamais dantes imaginados. Hoje em dia, quem não utiliza a Internet em pelo menos uma dessas três formas, está fora de qualquer contexto social.
Desde 2005, por ocasião do I ELLA, o CBA dispõe de um site próprio, com gerenciamento de conteúdo, que vai sendo acrescido com o passar do tempo. Contando atualmente com álbum de fotos de sítios arqueológicos e personalidades em Arqueologia, além de pré-inscrição de associados e de notícias atualizadas diariamente, o CBA já pensa em oferecer a quem acessa o seu site um curso a distância, um fórum e uma biblioteca, contendo informações sobre livros, artigos, teses, dissertações, entrevistas e depoimentos na área de Arqueologia. O site do CBA também deverá abrigar o projeto FOSSIL, visando catalogar de forma virtual o acervo dos sítios arqueológicos do estado do Rio de Janeiro.
As mais recentes descobertas arqueológicas no Estado do Rio de Janeiro
No início da década de 90, a arqueóloga Nanci Vieira de Oliveira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), tentava encontrar sinais de aldeias Tupinambás e da prática de antropofagia na região da Costa Verde, mas acabou descobrindo, em Piraquara de Fora, enseada na entrada da baía da Ribeira, em Angra dos Reis, vestígios arqueológicos referentes a indígenas que habitaram a região antes da colonização portuguesa. O sítio está localizado em terreno pertencente à Eletronuclear, que o transformará em museu e o abrirá à visitação pública até o fim deste ano. Nanci coordena as pesquisas, em parceria com o Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com a participação de um grupo de 35 alunos do ensino médio de escolas da região, entre eles, onze índios da aldeia de Bracuhy, como parte do Projeto Jovens Talentos do CECIERJ/FAPERJ. Até o fim de 2008, o sítio-museu deverá ser aberto à visitação pública, onde será possível, por meio de trilhas arqueológicas, redescobrir o passado, segundo a professora Nanci V. Oliveira.
Novas descobertas arqueológicas no Estado do Rio de Janeiro surgem com os estudos realizados por Alfredo José Altamirano em Cabo Frio. Esse pesquisador solicitou parecer técnico ao CBA sobre o objeto de suas pesquisas, no sentido de determinar sua possível origem arqueológica. Para Altamirano uma área do litoral de Búzios onde ocorre rocha com formas denominadas morcego, coruja e cobra, além de pedras sulcadas, seria um centro de religiosidade dos antigos habitantes construtores de sambaquis.
O Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB, dirigido por Ondemar Dias, vem realizando intensas pesquisas no campo da Arqueologia Histórica e desenvolvendo uma série de pesquisas em antigos engenhos do recôncavo da Guanabara, em especial na área da cidade do Rio de Janeiro, em cooperação com o antigo Departamento de Cultura (engenho do Viegas, Conceição da Pavuna, Cemitério dos Pretos Novos, Catedral da Antiga Sé e outros).
Novas datações absolutas então em andamento, com destaque para os arenitos da Praia de Jaconé, provável área fonte dos artefatos de rocha arenítica encontrados pelo prof. Benedicto Francisco nos sambaquis de Saquarema, durante o desenvolvimento do Projeto Saquarema, coordenado por Lina M..Kneip. Destaque para as novas datações absolutas realizadas por Lúcia Guerra, usando uma nova metodologia em sambaquis do fundo da baia da Guanabara e no litoral de Sepetiba.
Benedicto Francisco informa que o Departamento de Identificação e Documentação do IPHAN vem desenvolvendo um projeto de formação de banco de dados de todos os sítios arqueológicos do Brasil. Através do Sistema de Gerenciamento de Patrimônio Arqueológico-SGPA, será possível acessar toda e qualquer informação acerca do patrimônio arqueológico brasileiro. O banco de dados inclui fichas relativas aos sítios arqueológicos e suas propriedades tais como localização, dados relativos ao meio ambiente circundante, informações sobre as pesquisas anteriores realizadas, documentação relativa aos sítios tais como relatórios de pesquisa, projetos de pesquisa, fotografias, desenhos, mapas, croquis e descrição minuciosa do sítio que engloba desde o tipo de sítio, tipo de solo, material encontrado até o seu estado de conservação. O acesso ao banco de dados ainda está em desenvolvimento e sua conclusão permitirá não só maior agilidade do trabalho dos arqueólogos em seus levantamentos, mas possibilitará que o IPHAN atue efetivamente na preservação de nosso patrimônio.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O TERRENO CABO FRIO E SUA CONEXÃO




PALESTRA
Evolução tectônica do Terreno Cabo Frio e sua conexão com a Àfrica (*)
Renata da Silva Schmitt1

(*) DGRG- Faculdade de Geologia- UERJ (renatagondwana@uol.com.br

O Terreno Cabo Frio (TCF), localizado no sudeste do Estado do Rio de Janeiro, compreende duas unidades litotectônicas principais, um embasamento do Paleoproterozóico (2.0 Ga) e uma seqüência supracrustal do final do Neoproterozóico (600 Ma). Desde a década de 50, trabalhos científicos apontam para as diferenças do TCF em comparação com a Faixa Ribeira, tais como: a ausência de plutons brasilianos, as estruturas deformacionais dúcteis com orientação NW-SE (ortogonais à faixa), o metamorfismo de alta pressão (em contraste com a baixa pressão do terreno adjacente), a presença de um embasamento paleoproterozóico. Foi aventada a hipótese de que o TCF (também chamado de Domínio Tectônico de Cabo Frio, Bloco Cabo Frio) seria a expressão do Craton do Congo no Brasil. Dados mais recentes, obtidos a partir de mapeamento de detalhe e análises petrológicas, químicas e de geocronologia, comprovam que as duas unidades litoestratigráficas do TCF foram deformadas e metamorfisadas em fácies granulito durante o Cambriano (entre 525 e 490 Ma), num evento denominado Orogenia Búzios. Estas idades, mais jovens com relação ao dito auge colisional da Faixa Ribeira (entre 600 e 570 Ma), explicam parcialmente porque o TCF apresenta tantas diferenças, justamente por ser mais jovem e acrescionado mais tarde. Novos dados isotópicos reforçam a hipótese de que a seqüência supracrustal (Sucessão Búzios-Palmital) é um pacote de metassedimentos de origem marinha intercalados com metabasitos com protólitos do tipo E-MORB. Os zircões detríticos nos sedimentos e isócronas Sm-Nd nas rochas máficas indicam que a idade máxima desta bacia oceânica seria de 620 Ma. Isto significa que a bacia Búzios-Palmital estava em fase de abertura num período que grande parte das faixas móveis brasilianas estava em fase de compressão e transpressão. A inversão do movimento nesta bacia se deu em algum momento entre 600 e 530 Ma, sendo esta última idade do metamorfismo. Esta inversão foi acompanhada pela subducção parcial do pacote de supracrustais, levado a profundidade de no mínimo 30 quilômetros. A subseqüente colisão com o Cráton do Congo provocou também a inversão da estratigrafia trazendo nappes de cavalgamento do embasamento paleoproterozóico por sobre as rochas supracrustais. O limite do DTCF com a Faixa Ribeira ainda está em discussão. Na hipótese mais simples, o embasamento estaria empurrado por sobre rochas metassedimentares, sendo as rochas supracrustais da Bacia Búzios-Palmital contemporâneas às rochas supracrustais do terreno vizinho (Terreno Oriental) denominadas unidade São Fidélis. Sabendo-se que esta falha de empurrão, com vergência para NW, é atribuída à fase deformacional D3 do TCF, dificilmente ela será a sutura, pois não apresenta rochas máficas-ultramáficas. A ocorrência de plútons calcio-alcalinos de 580 a 560 Ma no terreno vizinho, intrudindo as rochas supracrustais da unidade São Fidélis, pode ser indicativa de que houve uma subducção para oeste, responsável pela acresção do TCF à Faixa Ribeira. A recente descoberta de orto e paragnaisses, correlacionáveis ao TCF, na margem oeste africana (Faixa Angolana) reforça a hipótese de que este terreno geológico está em contato com o Craton do Congo em Angola. Portanto não existem indícios de subducção relacionada à colisão do TCF para o lado africano. Além disso, este domínio guarda a sutura mais jovem dos eventos brasilianos no sudeste, sendo uma das cicatrizes continentais reaproveitadas durante o rifteamento mesozóico. A ocorrência de outros terrenos cambrianos nas regiões costeiras do Atlântico Sul pode corroborar com a existência de uma faixa móvel cambriana escondida sob a bacia do Atlântico.
(*) Palestra apresentada no Clube de Engenharia dia 25 de outubro de 2008.

Legenda das fotos:

1-Costão rochoso de Cabo frio com rochas de mais de 2 bilhões de anos (direita)
2-Voestspor - Rochas do SW da Africa (Namibia) correlacionáveis com SE do Brasil (esquerda)










quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ARENITOS DE PRAIA NO ESTADO DO RIO

Especialista debateu arenitos de praia do Estado do Rio de Janeiro
A Diretoria de Atividades Técnicas, através das divisões técnicas de Engenharia do Ambiente (DEA), de Recursos Naturais Renováveis (DRNR) e de Recursos Minerais (DRM), promoveu no dia 25 de setembro a palestra “os arenitos de praia do Estado do Rio de Janeiro”, proferida pelo geólogo Benedicto Humberto Rodrigues Francisco, secretário da DEA.Segundo o engenheiro, os arenitos de praia, uma importante formação rochosa do período Quaternário, são conhecidos dos viajantes praticamente desde o descobrimento do Brasil pelos portugueses. Esses arenitos ocorrem submersos ou quase submersos no litoral brasileiro.
– Em 1964 foi realizada a primeira coleta de arenito de praia no litoral carioca, na altura do km 12 da Avenida Litorânea, no Recreio dos Bandeirantes pelo naturalista da Reserva Biológica A. C. M. Macedo. Em 1968, Macedo conseguiu fotografar o banco de arenito do litoral de Jacarepaguá e coletar amostras da rocha, atualmente depositadas no Setor de Estratigrafia do Museu nacional (UFRJ). Segundo o naturalista, trata-se de rocha semelhante a encontrada no litoral nordeste, na Bahia e Pernambuco, acrescentando que igual formação litológica encontra-se na Ilha de Cabo Frio Na mesma época Gorini & Muehe (1971) descreveram o arenito do Recreio dos Bandeirantes. Novas descobertas aconteceram nos anos seguintes, de modo que atualmente sabe-se da existência desses bancos ao longo do litoral fluminense, desde o norte até o sul – disse.
Benedicto Rodrigues explicou que, inicialmente foi utilizada a expressão beach rock, da literatura americana e européia, para caracterizar bancos de arenito jazendo na orla litorânea do nordeste brasileiro, onde recebem o nome de recifes (arrecifes).
– No litoral nordeste ocupa posições variadas em relação ao nível do mar. Os mais próximos à praia aparecem na baixa-mar, alguns penetram obliquamente praia adentro, enquanto outros já no domínio da antepraia, são apenas perceptíveis pela arrebentação. Em alguns pontos o topo é plano, em outros inclina-se em direção ao mar. Branner (1904), estudando essas formações denominadas reef stones, concluiu que seriam praias consolidadas por um cimento calcário veiculado por água doce. Mendes & Petri (1971) sugeriram que os “arrecifes de arenito” deveriam ser considerados mais como depósitos da plataforma do que da praia. Outros autores discutiram o assunto, mas prevalece o senso comum de que tais formações podem ser consideradas beach rock lato sensu.
HOLOCENO
O geólogo ressaltou ainda que Flexor & Martin (1979) estudaram “rochas de praia” no litoral baiano, e concluíram, após algumas datações absolutas, que os mesmos foram depositados no Holoceno, antes do nível do mar ter atingido o máximo de transgressão. O nível médio do mar esteve a cerca de 4,7 m ± 0,50 m acima do atual, quando a transgressão chegou ao máximo, a 5.100 anos atrás.
– Os arenitos do litoral baiano são quartzosos, com cimento calcário e restos de conchas de moluscos, principalmente. A estratificação varia localmente, assim como a textura. Alguns, como no caso do Rio Vermelho, apresentam nítida estratificação cruzada. Este depósito possui granulometria grosseira e conchas abundantes, podendo ter se originado no estirâncio da praia (FLEXOR & MARTIN, op. cit.). As idades obtidas pela datação de conchas selecionadas atingem cerca de 6.610 ± 120 anos e 6.635 ± 135 anos A. P. Para Flexor & Martin (op. cit.) o cimento teria sido gerado após a deposição em águas marinhas, ao contrário do que julgava Branner (op. cit.) que propunha água doce ( MENDES, 1984, p. 215). No litoral do Rio de Janeiro vem crescendo o número de ocorrências conhecidas. Em Ponta Buena, litoral de Campos, depósito de praia fóssil (arenito) com estratificação cruzada estão sobrepostos às argilas do grupo Barreiras (DIAS, 1981, p. 38-79). No extremo oposto, na baía de Sepetiba, ocorre arenito de praia citado por Francisco & Góes (1987). Ainda no litoral carioca a ocorrência do Recreio dos Bandeirantes foi discutida por Macedo (1971) e Gorini & Muehe (1971) – disse.
Em Cabo Frio, complementou, também existe um depósito dessa formação holocênica. Na Região dos Lagos a ocorrência é conhecida há mais tempo é a de Itaipuaçu, descrita por Muehe (1972), Muehe & Ignarra (1984), Souza (1988), Souza & Menezes (1990).
– Próximo a Saquarema, na praia de Jaconé, o palestrante Benedicto Rodrigues observou uma nova ocorrência durante o mapeamento geológico da região. Anteriormente, a primeira identificação de seixos de arenito de praia em sambaqui foi efetuada pelo geólogo ao analisar o material lítico do Sambaqui da Beirada, por solicitação da arqueóloga Lina M. Kneip (MN/UFRJ). Uma descrição dessas ocorrências, com destaque para a de Saquarema, foi apresentada pelo palestrante.